Home/Blog/

Efeitos colaterais da Finasterida: o que os estudos mostram

O que os estudos mostram sobre os efeitos colaterais da finasterida, quais dúvidas ainda existem e quando procurar orientação médica.

clinician image

Aprovado por:

Dr. Earim Chaudry

Escrito com base em estudos científicos
Atualizado em 24 de setembro de 2026

Resumo rápido:

A finasterida reduz a conversão de testosterona em DHT, o hormônio que miniaturiza os folículos na calvície, e é justamente por mexer nesse hormônio que ela pode repercutir além do couro cabeludo. Os efeitos mais discutidos estão na esfera sexual, seguidos por alterações de humor. O que mudou nos últimos anos é o enquadramento regulatório. A Anvisa publicou em 2025 um alerta de farmacovigilância sobre disfunção sexual, alterações de humor, depressão e ideação suicida associadas à finasterida e à dutasterida por via oral. A agência classificou a frequência desses eventos como desconhecida, o que significa que os dados disponíveis não permitem estimá-la, e manteve a relação entre benefício e risco favorável nos usos aprovados.

Aviso Importante: Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para queda capilar deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde.​​​​‌‍​‍​‍‌‍​‍‌‌‍​‌‌​‍‌‌​‌‍‍‌‌‍​‌‍​‌‍‌‌​‍‌‌​​‌‍​‌‌‍‌‌‍‌‌​‍‌​​‌‍​‌‌‌​‌‍‍​​

Finasterida e DHT: por que o bloqueio repercute além do cabelo

A finasterida age sobre a enzima 5-alfa-redutase, reduzindo a formação de di-hidrotestosterona. Nos folículos geneticamente sensíveis, esse é exatamente o efeito desejado, porque o DHT encurta a fase de crescimento e afina os fios a cada ciclo.

O mesmo hormônio participa de outras funções do organismo, e é dessa fisiologia que vêm os efeitos descritos nos estudos. A dutasterida bloqueia as duas formas da enzima e tem perfil próprio.

Finasterida e efeitos sexuais: o que os ensaios mostram

Os dados mais citados vêm do ensaio randomizado que acompanhou 1.553 homens por até dois anos. Nele, os eventos adversos foram pouco frequentes nos dois grupos, e a diferença entre finasterida e placebo se concentrou na esfera sexual, com redução de libido e alterações de ereção.

Uma revisão sistemática com meta-análise reuniu os ensaios disponíveis e encontrou risco aumentado de disfunção sexual com os inibidores da 5-alfa-redutase em relação ao placebo.

Os próprios autores registram uma limitação que pesa nas duas direções, já que a qualidade do registro de segurança nesses ensaios foi considerada baixa, o que pode tanto subestimar quanto distorcer o quadro real.

É essa lacuna que explica a posição da Anvisa. Existe sinal de risco, a direção do efeito é conhecida, mas a frequência não pode ser estimada com os dados atuais.

cuide do seu cabelo com acompanhamento de especialistas.
Faça uma avaliação online e saiba qual o tratamento médico é ideal para você.
icon
Avaliação de dermatologista
icon
Suporte de especialistas ilimitado
icon
Entrega gratuita

Finasterida e efeito nocebo: quando a expectativa vira sintoma

Um capítulo curioso dessa literatura ajuda a entender por que os relatos fora dos ensaios superam o que os estudos controlados registram.

Em um ensaio publicado em 2007, homens que usavam finasterida na dose indicada para a próstata foram divididos em dois grupos, e só um deles foi informado sobre a possibilidade de efeitos sexuais.

Quem recebeu a informação relatou disfunção erétil, queda de libido e alterações na ejaculação com frequência significativamente maior, tomando o mesmo medicamento.

Esse achado não anula os eventos registrados contra placebo, e não serve para sugerir que o sintoma é imaginário. Ele mostra que expectativa e ansiedade fazem parte do quadro, fenômeno com paralelo no que se descreve na disfunção erétil psicológica.

Na prática, isso reforça o valor de uma informação equilibrada e de um canal aberto com quem prescreveu.

Finasterida e humor: o que está no alerta e o que segue em debate

Além dos efeitos sexuais, o alerta da Anvisa inclui alterações de humor, depressão e ideação suicida entre os eventos associados ao uso oral. Há também relatos de sintomas que persistiriam após a interrupção do medicamento, conjunto que recebeu o nome de síndrome pós-finasterida.

A literatura de segurança trata esse quadro como controverso, sem consenso sobre frequência e mecanismo, em parte pela dificuldade de separar o efeito do medicamento de outros fatores. A conduta que a Anvisa recomenda é direta, e começa pela informação.

O paciente precisa conhecer esses riscos antes de iniciar e, diante de qualquer um desses sintomas, suspender o tratamento e procurar um profissional de saúde.

Finasterida e exames: o efeito no PSA

Há um efeito que não causa sintoma e ainda assim precisa ser informado ao médico. A finasterida reduz o valor do PSA, marcador usado no acompanhamento da próstata, e estudos com a dose usada para calvície70981-0/abstract) mostraram redução semelhante à observada com a dose usada para a próstata.

Sem essa informação, um resultado reduzido pode passar por normal. Quem faz exames de rotina da próstata precisa informar o uso do medicamento a quem solicita ou interpreta o PSA.

Outros efeitos descritos

A bula e a literatura registram eventos menos frequentes, como aumento de sensibilidade ou dor nas mamas e reações de pele. Nenhum desses pontos substitui a leitura da bula nem a conversa com quem prescreveu, que seguem sendo as referências para o caso individual.

Finasterida e acompanhamento médico: por que a automedicação é o risco

O perfil de segurança do medicamento é o argumento central contra usar por conta própria.

Um médico avalia contraindicações, considera o histórico de saúde, ajusta a conduta se algum efeito aparecer e discute alternativas, incluindo a finasterida tópica, que estudos iniciais associam a menor exposição do organismo ao medicamento. É também por isso que a finasterida exige receita.

O contexto completo do tratamento da calvície está no guia de calvície masculina, e a decisão de usar ou não o medicamento é sempre do médico.

O que lembrar:

  • Os efeitos colaterais da finasterida existem e estão documentados, com a diferença em relação ao placebo concentrada na esfera sexual.
  • Desde 2025, a Anvisa classifica como desconhecida a frequência de disfunção sexual, alterações de humor, depressão e ideação suicida associadas ao uso oral, mantendo a relação entre benefício e risco favorável nos usos aprovados.
  • O efeito nocebo documentado em ensaio clínico explica parte da distância entre os relatos e os números dos estudos, sem invalidar os eventos reais.
  • A orientação oficial é conhecer os riscos antes de começar e, diante de qualquer sintoma, suspender e procurar um profissional de saúde.
MANUAL
A MANUAL é uma plataforma de saúde masculina que faz a gestão do seu tratamento de queda capilar, conectando pacientes a dermatologistas e dando todo suporte na aquisição e manutenção dos tratamentos adequados. Tudo é feito de forma segura e prática, 100% online e com suporte de saúde ilimitado.


Perguntas Frequentes:

Referências

icon

Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Alerta GGMON 07/2025: medidas de minimização de risco de disfunção sexual, alterações de humor, depressão e ideação suicida associada à finasterida e dutasterida de uso oral. 2025. http://antigo.anvisa.gov.br/en/novahome/-/asset_publisher/0tCLJ0fvWFWI/content/medidas-de-minimizacao-de-risco-de-disfuncao-sexual-alteracoes-de-humor-depressao-e-ideacao-suicida-associada-a-finasterida-e-dutasterida-de-uso-oral/33868?inheritRedirect=false

icon

Kaufman KD, Olsen EA, Whiting D, e colaboradores. Finasteride in the treatment of men with androgenetic alopecia. Journal of the American Academy of Dermatology. 1998. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/9777765/

icon

Adverse sexual effects of treatment with finasteride or dutasteride for male androgenetic alopecia: a systematic review and meta-analysis. Acta Dermato-Venereologica. 2019. https://www.medicaljournals.se/acta/content/html/10.2340/00015555-3035

icon

Mondaini N, Gontero P, Giubilei G, Lombardi G, Cai T, Gavazzi A, Bartoletti R. Finasteride 5 mg and sexual side effects: how many of these are related to a nocebo phenomenon? The Journal of Sexual Medicine. 2007. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/17655657/

icon

D'Amico AV, Roehrborn CG. Effect of 1 mg/day finasteride on concentrations of serum prostate-specific antigen in men with androgenic alopecia: a randomised controlled trial. The Lancet Oncology. 2007. https://www.thelancet.com/journals/lanonc/article/PIIS1470-2045(06)70981-0/abstract

icon

Lolli F, e colaboradores. Androgenetic alopecia: a review. Endocrine. 2017. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28349362/

icon