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Finasterida causa infertilidade? O que os estudos mostram

Como a finasterida se relaciona com espermograma e fertilidade masculina.

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Aprovado por:

Dr. Earim Chaudry

Escrito com base em estudos científicos
Atualizado em 18 de setembro de 2026
Aviso Importante: Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para queda capilar deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde.​​​​‌‍​‍​‍‌‍ ‌​‍‌‍‍‌‌‍‌‌‍‍‌‌‍‍​‍​‍​‍‍​‍​‍‌​‌‍​‌‌‍‍‌‍‍‌‌‌​‌‍‌​‍‍‌‍‍‌‌‍ ​‍​‍​‍​​‍​‍‌‍‍​‌​‍‌‍‌‌‌‍‌‍​‍​‍​‍‍​‍​‍‌‍‍​‌‌​‌‌​‌​​‌​​‍‍​‍​‍

Em homens jovens e saudáveis, a finasterida usada para queda de cabelo não alterou os principais parâmetros do sêmen em um ensaio controlado de quase um ano. Em homens que já tinham contagem espermática baixa, porém, a resposta foi diferente.

É por isso que a relação entre finasterida e fertilidade não tem uma resposta única: o ponto de partida de cada homem importa. Histórico de fertilidade, alterações prévias no espermograma e planos de ter filhos mudam a conversa sobre o tratamento.

Por que a pergunta faz sentido

A finasterida pertence à classe dos bloqueadores de DHT e age inibindo a enzima que converte testosterona em di-hidrotestosterona.

O DHT participa do desenvolvimento e do funcionamento de estruturas do sistema reprodutor masculino, incluindo a próstata e as vesículas seminais, que produzem boa parte do volume do ejaculado.

Reduzir o DHT, portanto, tem potencial de mexer em parâmetros do espermograma, que é o exame que mede volume do sêmen, concentração, número total, mobilidade e formato dos espermatozoides. A questão nunca foi se o mecanismo é plausível, e sim qual o tamanho do efeito na prática.

O que se observa em homens com espermograma normal

O estudo de referência acompanhou homens jovens e saudáveis por 48 semanas, comparando a concentração usada no tratamento capilar com placebo. Não houve efeito significativo sobre concentração de espermatozoides, número total por ejaculado, mobilidade ou formato.

O volume do ejaculado caiu um pouco nos dois grupos, e a diferença entre quem tomava o medicamento e quem tomava placebo não foi significativa. Houve redução pequena do volume da próstata e do PSA, ambas reversíveis depois da interrupção.

É a base do que costuma ser dito em consulta. Para a maioria dos homens, nessa concentração, o exame não muda.

O que muda na concentração mais alta

Um ensaio controlado publicado no Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism avaliou inibidores da 5-alfa-redutase em concentração mais alta, a usada para próstata, ao longo de 52 semanas, com mais 24 semanas de acompanhamento depois da interrupção.

A contagem total de espermatozoides caiu de forma significativa na metade do período, com redução em torno de um terço. Aos doze meses a diferença já não era significativa, e no acompanhamento após a suspensão também não.

O volume do ejaculado diminuiu, o formato dos espermatozoides não mudou, e houve redução pequena de mobilidade que persistiu no seguimento.

A conclusão dos autores é que a queda dos parâmetros é discreta e aparentemente reversível. Vale marcar que esse resultado vem da concentração de próstata, e transpor os números dele para o tratamento capilar seria esticar o achado.

O grupo em que o efeito aparece

O dado mais relevante para quem está tentando engravidar vem de outro lugar. Uma clínica de infertilidade masculina revisou os prontuários de 4.400 homens atendidos ao longo de quatro anos e encontrou 27 que usavam finasterida na concentração capilar, com tempo médio de uso próximo de cinco anos.

Depois da suspensão, a contagem de espermatozoides aumentou em média 11,6 vezes. Entre os que tinham contagem muito baixa, 57% voltaram para a faixa considerada normal. Nenhum homem teve piora. Mobilidade, formato e hormônios não mudaram.

Duas coisas dimensionam esse achado. A primeira é que se trata de 0,6% dos homens atendidos, ou seja, um grupo pequeno dentro de uma população que já procurava ajuda por dificuldade de engravidar.

A segunda é que não houve grupo de comparação que continuasse o medicamento, o que impede falar em prova formal de causa.

A recomendação dos autores é direta. Em homens com contagem baixa que desejam ter filhos, a finasterida deve ser suspensa, e o uso pede cautela em quem está tentando engravidar.

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E a gravidez da parceira?

Existe uma preocupação diferente que costuma se misturar a essa, e vale separar. A finasterida tem risco descrito para o desenvolvimento do feto masculino, e por isso mulheres grávidas não devem manusear comprimidos partidos ou triturados.

A quantidade da substância excretada no sêmen é descrita como muito baixa, e as fontes de referência não a apontam como risco esperado para a gestação. Ainda assim, é um ponto que pertence à conversa com o médico que acompanha o casal, e não a um texto na internet.

O que isso significa na prática

A leitura conjunta dos três estudos sugere um padrão. Em homens com espermograma normal, a concentração capilar não muda o exame de forma mensurável.

Em homens que já têm produção reduzida, o medicamento pode empurrar os números para baixo, e a interrupção tende a reverter isso em poucos meses.

Daí sai uma conduta que não é regra e sim conversa. Quem está tentando engravidar, ou pretende tentar em breve, tem motivo para levar isso à consulta antes de começar ou de continuar o tratamento.

Em alguns casos o médico pode pedir um espermograma, em outros pode sugerir pausa, e em outros nada muda. A decisão passa pela avaliação individual que a prescrição exige, e a escolha entre finasterida e dutasterida também entra nessa conversa.

O que lembrar:

  • Em homens jovens e saudáveis, a concentração de finasterida usada para queda de cabelo não alterou os parâmetros do espermograma em ensaio controlado de 48 semanas.
  • Em concentração mais alta, houve redução discreta da contagem total no meio do período, que deixou de ser significativa ao fim do estudo e após a suspensão.
  • O achado mais relevante vem de uma clínica de fertilidade, em que homens com contagem baixa apresentaram aumento médio de 11,6 vezes depois de interromper o medicamento, o que levou os autores a recomendar suspensão nesses casos e cautela em quem deseja ter filhos.
  • Como o efeito depende do ponto de partida de cada um, a decisão é clínica e passa por conversar sobre planos de fertilidade antes de começar.
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Perguntas Frequentes

Referências

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Overstreet JW, Fuh VL, Gould J, et al. Chronic treatment with finasteride daily does not affect spermatogenesis or semen production in young men. The Journal of Urology. 1999. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/10492183/

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Amory JK, Wang C, Swerdloff RS, et al. The effect of 5-alpha-reductase inhibition with dutasteride and finasteride on semen parameters and serum hormones in healthy men. The Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism. 2007. https://academic.oup.com/jcem/article-abstract/92/5/1659/2598215

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Samplaski MK, Lo K, Grober E, Jarvi K. Finasteride use in the male infertility population: effects on semen and hormone parameters. Fertility and Sterility. 2013. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24012200/

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Finasteride. MotherToBaby fact sheets. National Library of Medicine. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK582707/