Queda capilar

Calvície masculina ou Alopecia Androgenética: um guia

A calvície masculina é temida por muito homens e não é a toa: de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 50% do homens com até 50 anos serão calvos.

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Equipe médica
iconÚltima atualização 16 de abril 2024

O que é a calvície masculina ou Alopecia Androgenética?

Para início de conversa, podemos pensar na alopecia como qualquer condição que causa queda de cabelo ou perda de pelos ao redor do corpo. Existem diferentes razões para uma pessoa sofrer com ela e não são só homens que podem desenvolver a condição.

Mas, quando se trata da alopecia androgenética, aí sim estamos falando da calvície masculina, facilmente reconhecida pela perda gradual dos fios principalmente nas “entradas” e no topo da cabeça.

Quais as causas?

A principal causa da calvície masculina ou alopecia androgenética é ela: a genética. Mas se está pensando que ela é herdada apenas por parte da mãe, você está enganado. Um estudo recente mostrou que, ao invés de ser uma mutação única no gene AR, a calvície é uma condição poligênica, o que significa que existem mais de um gene ou mutação que podem ser responsáveis.

Estudos que examinaram todo o genoma em relação à calvície descobriram que um em cada sete homens têm variantes no cromossomo 20 que são fatores de risco para a calvície de padrão hereditário. O cromossomo 20 e o cromossomo X são entidades completamente separadas, o que significa que você pode herdá-lo de qualquer um dos pais.

Uma variante específica do cromossomo 20, chamada rs1160312 (nome cativante, sabemos), está especialmente associada à alopecia androgênica em homens, aumentando em 60% a probabilidade de ter calvície.

Isso não é tudo. Outros estudos indicam que essa queda capilar é influenciada por diversos genes, e cada mutação adicional que você herda, aumenta o risco de ficar careca. Um estudo identificou 63 loci que contribuem para a calvície, enquanto outro identificou 71 loci. Esses genes codificam uma série de características, como o quão sensíveis seus folículos são ao DHT.

Além disso, descobriu-se que herdar esses genes é mais importante para o desenvolvimento da calvície do que a mutação no cromossomo X.

Como acontece a queda dos fios?

Como deu para perceber, a genética é um fator decisivo para se ter calvície ou não. Isso acontece porque os genes tornam o organismo do homem mais sensível ao DHT, um hormônio formado a partir da testosterona com a ação de uma enzima chamada 5α-redutase.

Na calvície, o DHT liga-se a receptores em seus folículos capilares, fazendo com que eles encolham (um processo denominado ‘miniaturização’), de modo que parem de produzir cabelos saudáveis. Com o tempo, a exposição constante ao DHT pode danificar o folículo capilar, o que significa que perderá a capacidade de fazer novos fios.

Prevenir a calvície é possível?

Infelizmente, quando se fala de calvície masculina não tem muito o que fazer. Para se ter noção, existem estudos que estimam que, quando alguém da família é calvo, as chances da pessoa herdar esses genes são aproximadamente de 80%.

Mas nem tudo está perdido! O entendimento da ciência sobre a condição contribuiu para o desenvolvimento de tratamentos eficazes, que são capazes de bloquear os gatilhos para a calvície, mesmo que você seja geneticamente predisposto para sofrer com ela.

Como detectar?

A queda excessiva de fios é bom indicativo de que pode estar desenvolvendo algum tipo de alopecia. Mas aqui vale levantar um ponto: é natural que você perca cerca de 60 a 100 fios por dia, ou seja, quando a perda de cabelo é maior do que essa, ai sim é um motivo para se preocupar. 

Essa queda natural que citamos acontece como consequência do próprio ciclo de crescimento do cabelo. Ele se divide em três fases:

  • Anágena (crescimento)
  • Catágena (transição)
  • Telógena (repouso)

Durante a fase Telógena, os fios mais velhos se preparam para cair para que um outro fio mais novo nasça no seu lugar. Acontece que o cabelo não está todo em uma fase só desse ciclo, o que explica o fato de que apenas uma parcela dos fios caírem ao longo dos dias.

Nós entramos nesse ponto para que você entenda um pouco melhor sobre como os fios crescem, mas sabemos que ninguém vai parar para contar fio por fio. O importante é que saiba que existe essa média de cabelo que “cai” por dia.

Quais os sintomas e primeiros sinais?

Em geral, existem alguns pontos que você precisa ficar de olho, como o afinamento dos fios e a diminuição da densidade capilar no topo da cabeça.

O recuo da linha do cabelo também pode ser uma indicação de que a calvície masculina vem aí. Citamos com mais detalhes a seguir:

  • Diminuição dos fios no topo da cabeça

Esse, de fato, é o lugar mais difícil para você perceber a queda capilar, no entanto, a diminuição do volume dos fios na região da coroa é um dos principais sinais da calvície. E o que complica é que muito provavelmente todo o restante do cabelo – que é visível do seu ponto de vista – segue intacto e isso tira a calvície do seu radar.

Se você está com dificuldade de perceber as mudanças na coroa da sua cabeça, peça a opinião de alguém de confiança. Pode ser que seja difícil ouvir a verdade nua e crua, mas só aceitando o problema, vai conseguir solucioná-lo.

  • Afinamento do cabelo

A queda capilar não precisa ser necessariamente localizada. Na verdade, quando se fala da calvície, provavelmente será notada uma redução na densidade do cabelo, que geralmente começa pelo topo da cabeça e se espalha até a linha do cabelo, enquanto os fios na nuca e da lateral da cabeça permanecem intactos.

Ao mesmo tempo em que o volume capilar diminui, também é possível que perceba os fios mais fracos, principalmente na área afetada pela queda capilar.

  • Recuo da linha capilar

Apesar de não ser uma variação da queda de cabelo no topo da cabeça, o recuo da linha capilar é um dos principais sintomas da calvície – e pode sugerir que as áreas calvas estão perto de chegar.

Assim como outros sinais da queda capilar, pode ser um pouco difícil ter certeza se a linha do cabelo está recuando ou não. Uma dica útil é comparar a situação atual com alguma foto antiga e ver se há alguma diferença.

Sinais da calvície masculina e a Escala de Norwood

Todos os sinais da calvície masculina que falamos acima foram tema de estudo para cientistas até que chegaram, nos anos 70, no modelo chamado de escala de Norwood. Com ela, foi possível perceber um padrão no avanço da queda de cabelo entre a maioria dos homens, dividido em sete etapas, como é possível ver na foto a seguir:

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Mas por que a Escala de Norwood é tão relevante?

A escala de Norwood é popular por ser uma metodologia científica feita para entender melhor o padrão da calvície. Ela também é uma forma de compreender o quanto nossa queda capilar evolui – e o que podemos esperar a seguir. Isso pode ser um grande aliado para nos sentirmos mais seguros, já que a informação nos faz sentir com maior controle sobre a situação.

No entanto, vale lembrar que nem todo mundo está exatamente dentro de uma classificação, ok? Então, se não se identificar com nenhum dos estágios, não precisa se preocupar! Homens experienciam a calvície de formas diferentes e alguns estudos acadêmicos têm mostrado que a escala de Norwood não é 100% precisa na prática.

Já estou perdendo fios. É possível parar?

Apesar de não ser possível prevenir a calvície masculina, ainda existem esperanças. Com o melhor entendimento sobre o mecanismo em que ela acontece, a ciência criou tratamentos que ajudam a lidar com a queda de cabelo e nós vamos te explicar um pouco melhor no tópico seguinte!

Tem cura ou tratamento?

A calvície masculina não tem uma cura definitiva, mas sim tratamento. Isso quer dizer que, por mais que não seja possível curar a alopecia androgenética, existem meios que ajudam a controlar e a reverter a situação se os cuidados contínuos. Nós listamos os principais, veja no tópico a seguir!

Quais as opções de tratamento?

As células-tronco podem curar a calvície?

Uma área promissora de pesquisa para a cura da calvície são as células-tronco. Trata-se de um tipo de célula que tem a capacidade de se transformar em outros tipos de células em seu corpo, a fim de reparar danos aos tecidos.

Um grupo de pesquisa no Japão tem como objetivo desenvolver uma tecnologia de regeneração do folículo capilar. Seu método envolve o cultivo de células-tronco ao redor dos folículos capilares para fazê-los aumentar de tamanho, revertendo assim a miniaturização dos folículos capilares, causado pela calvície.

Além disso, cientistas da UC San Francisco descobriram que as células T reguladoras (Tregs), um tipo de célula imune que está ligada ao controle da inflamação, têm uma relação próxima com as células-tronco nos folículos capilares. Se as Tregs não estiverem funcionando corretamente, isso pode interromper o ciclo de crescimento e impedir o crescimento de novos fios de cabelo. O estudo foi focado na perda de cabelo devido à alopecia areata, mas acredita-se que as descobertas também possam ter implicações para o tratamento da calvície.

Enquanto isso, um programa de pesquisa da Califórnia teve sucesso no crescimento de pelos em camundongos usando células-tronco pluripotentes. Estas são células adultas que são geneticamente reprogramadas para agir como células encontradas em um feto em desenvolvimento. O pesquisador chefe, Alexey Terskikh, fundou uma empresa que espera licenciar a tecnologia para uso comercial.

E quanto ao transplante capilar?

O transplante de cabelo é um procedimento pelo qual seus próprios folículos capilares são realocados para outras áreas do couro cabeludo usando uma técnica chamada microenxertia. A técnica mais utilizada é conhecida como FUE(Follicular Unit Extraction), onde os fios são retirados e implantados um a um.

Embora os resultados de um transplante de cabelo sejam duradouros, não há garantia de que o primeiro procedimento será o último. É também uma forma demorada de tratar a queda capilar, que envolve tempo de cicatrização e recuperação (cerca de 6 a 12 meses).

Se o transplante for bem-sucedido, os folículos capilares realocados vão estimular o crescimento de novos fios para preencher as áreas calvas do couro cabeludo. Mas, como os folículos que já estavam no lugar, os transplantados têm uma vida útil e, eventualmente, deixarão de produzir fios. 

Na maioria dos casos, após o transplante capilar, é necessário manter o tratamento da calvície com os medicamentos comprovados, pois são tratamentos complementares e os medicamentos são essenciais para ter um resultado duradouro.

Novas descobertas para a queda de cabelo

Também existe a possibilidade de desenvolver novos tratamentos farmacológicos para a queda de cabelo, que podem até incluir uma cura permanente para a calvície.

Pesquisadores do Centro Médico da Universidade de Columbia, em Nova York, descobriram que um grupo de medicamentos chamados inibidores de JAK pode ajudar a aumentar o crescimento do cabelo no couro cabeludo e estimular o crescimento do cabelo. Essas drogas combatem a atividade de uma família de enzimas chamada Janus quinase (JAK), que são encontradas nos folículos capilares.

Ao inibir as enzimas JAK, as drogas parecem promover a reentrada do folículo capilar na fase de crescimento do ciclo capilar. A maioria dos estudos com essa droga estão relacionados a Alopecia Areata, mas podem ajudar na Alopecia Androgenética.

Além disso, cientistas da Universidade de Manchester experimentaram uma droga imunossupressora chamada ciclosporina A, que reduz a atividade da proteína SFRP1 – um regulador de crescimento que afeta os folículos capilares.

Embora a ciclosporina A não seja apropriada como um tratamento para queda de cabelo, porque suprime o sistema imunológico, os cientistas descobriram que outro medicamento, o WAY-316606, fez um trabalho ainda melhor em interromper o SFRP1. Desde então, várias empresas farmacêuticas expressaram interesse em desenvolver o WAY-316606 como um tratamento para a calvície, embora esteja aguardando a aprovação do FDA.

Tratamentos comprovados para calvície de padrão masculino

Existem atualmente tratamentos mais acessíveis que são aprovados clinicamente para combater a calvície masculina.

A Finasterida, a Dutasterida e o Saw Palmetto agem inibindo a atividade da enzima 5-alfa redutase, que converte o hormônio masculino testosterona em Diidrotestosterona (DHT) – por isso, são chamados de bloqueadores de DHT. Fato é que, a ação desses medicamentos ajudam os folículos a se recuperar e a desenvolver cabelos mais fortes.

Por outro lado, há também o Minodixil, um nome conhecido para quem já procurou saber sobre tratamentos para calvície masculina. Ele está disponível em duas vias de administração, que é a forma como podem ser utilizados, que são: via oral (quando o comprimido é ingerido) e tópico (quando é aplicado diretamente no couro cabeludo).

Independente da forma como ele é utilizado, o Minoxidil contribui com o tratamento da calvície masculina estimulando a circulação de nutrientes e de oxigênio no couro cabeludo. Além disso, o medicamento também ajuda atuando no ciclo capilar, aumentando a fase em que os fios crescem.

Tanto o Minoxidil como os bloqueadores de DHT podem ser utilizados em tratamentos combinados, de acordo com a prescrição do médico. Essa associação de medicamentos se mostrou muito eficaz e ajudou 94% de participantes de uma pesquisa que estudou os impactos positivos do uso do Minoxidil com a Finasterida.

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