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Finasterida causa disfunção erétil? O que a ciência diz

O medo da impotência com o uso do medicamento é comum. A verdade é, o risco existe, mas é muito menor do que parece.

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Aprovado por:

Time Clínico MANUAL

Escrito com base em estudos científicos
Tempo de leitura: 7 min
Aviso Importante:

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para queda capilar deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde.

Essa pergunta é bem comum em homens que usam ou estão pensando em usar finasterida. A preocupação em relação a “impotência” faz sentido, afinal trata-se é um medicamento que interfere diretamente em hormônios.

O problema é entender os efeitos colaterais pela metade, apoiado apenas em relatos e não em evidências científicas.

Caso você pare o texto aqui, saiba que sim, existe o risco. Mas além do fato de que, quando acontece, o efeito é temporário e reversível, os dados mostram que a chance de tudo correr bem é muito maior.

O que é a finasterida e para que ela é usada

A finasterida é um remédio que age bloqueando uma substância do corpo chamada DHT, que vem da testosterona. Esse hormônio (DHT) é um dos principais responsáveis pela queda de cabelo nos homens, porque enfraquece os fios ao longo do tempo. Ao reduzir o DHT, a finasterida ajuda a desacelerar a queda e, em alguns casos, até a recuperar parte do cabelo.

Ela é usada em duas situações: em dose mais baixa, para tratar a calvície masculina; e em dose mais alta, para tratar o aumento benigno da próstata, algo comum com o envelhecimento.

Entender o papel do DHT é importante porque explica exatamente por que o medicamento funciona, mostrando que ele não “cria cabelo do nada”, e sim age na causa do problema.

Essa distinção de dose importa, e muito, quando o assunto é disfunção erétil. Os perfis de risco entre as duas indicações são diferentes, e parte da confusão pública vem justamente de misturar dados dos dois contextos.

Existe mesmo risco de disfunção erétil com finasterida?

Em estudos clínicos com a finasterida na dose usada para calvície, os efeitos sexuais aparecem, mas são pouco comuns.

Por exemplo, cerca de 1 em cada 100 homens relatou dificuldade de ereção com o remédio, contra menos de 1 em cada 100 no grupo que tomou placebo. A diminuição da libido também foi parecida: um pouco mais frequente com o remédio, mas ainda em números baixos.

Já na dose mais alta, usada para tratar o aumento da próstata, esses efeitos ficam mais comuns. Nesse caso, até cerca de 8 em cada 100 homens tiveram dificuldade de ereção no primeiro ano, comparado a cerca de 4 em cada 100 no placebo.

A única relação causal consistentemente estabelecida nos estudos objetivos é a redução do volume ejaculatório, ligada ao efeito direto do DHT sobre a próstata. Disfunção erétil e queda de libido aparecem nos dados, mas com mecanismo menos definido.

Ou seja: o risco existe, mas é baixo na dose para calvície e maior na dose mais alta. Ainda assim, não acontece com a maioria das pessoas.

Finasterida para outros tratamentos

Uma análise que juntou vários estudos (mais de 17 mil homens) encontrou o seguinte: entre quem usa finasterida para tratar a próstata aumentada, o risco de disfunção erétil foi cerca de 55% maior em comparação com quem não usava.

Pode parecer muito, mas esse número representa risco relativo. Na prática, isso significa que se o risco inicial já é baixo, mesmo um aumento percentual relevante pode resultar em poucos casos, ou seja, mesmo quando o risco dobra, a maioria das pessoas ainda não terá o efeito.

Efeito nocebo, ou o efeito colateral psicólogico

Esse é o ponto mais subestimado de toda a discussão sobre finasterida.

Em outro estudo, pacientes foram divididos em dois grupos: um recebia a prescrição com informação detalhada sobre os potenciais efeitos colaterais sexuais; o outro recebia o mesmo medicamento sem esse aviso.

Resultado: o risco de disfunção erétil quase triplicou no grupo informado. Isso é o efeito nocebo: quando a expectativa de um efeito negativo contribui para que ele se manifeste, sem relação direta com a ação farmacológica do medicamento.

Reconhecer o nocebo é reconhecer que a informação tem poder fisiológico, e que uma parcela relevante das queixas na prática clínica provavelmente carrega esse componente.

Vale lembrar que a disfunção erétil de origem psicológica é um fenômeno bem documentado e independente do uso de qualquer medicamento.

Quando os sintomas acontecem, eles costumam ser reversíveis

Na maioria dos estudos clínicos, os efeitos colaterais sexuais da finasterida são reversíveis após interromper o uso. Ou seja: ao parar o medicamento, sintomas como disfunção erétil e queda de libido tendem a desaparecer na maior parte dos casos.

Mas existe um ponto importante: uma parcela menor de pacientes relata sintomas que continuam mesmo depois da suspensão. Esse quadro ficou conhecido como síndrome pós-finasterida (SPF).

A síndrome pós-finasterida inclui queixas como disfunção erétil, baixa libido, alterações de humor e sintomas físicos. Embora seja amplamente discutida, ainda não existe consenso científico sobre sua causa ou frequência e as evidências ainda são inconclusivas. Você pode ver a base de pesquisas disponíveis em estudos sobre síndrome pós-finasterida no PubMed.

Em outras palavras, é uma condição que está sendo investigada, com relatos reais, mas sem uma causa comprovada até agora. Na prática, isso significa que:

  • A maioria dos efeitos da finasterida continua sendo reversível.
  • Casos persistentes parecem ser raros e ainda não têm frequência bem definida.
  • Mais estudos são necessários para entender se existem riscos e em quais grupos.
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O que a Anvisa determinou em 2025

Em junho de 2025, a Anvisa publicou um alerta que determina a atualização obrigatória das bulas de finasterida e dutasterida no Brasil. A medida foi baseada em uma revisão do Comitê de Avaliação de Risco em Farmacovigilância da Agência Europeia de Medicamentos (PRAC/EMA).

A conclusão principal das agências regulatórias foi que os benefícios da finasterida e da dutasterida continuam superando os riscos para as indicações aprovadas, como a calvície masculina.

O que mudou não foi a recomendação de uso, mas sim o reforço nos alertas de segurança. As novas bulas passam a incluir de forma mais destacada possíveis efeitos adversos, como: disfunção sexual (incluindo disfunção erétil e redução da libido), alterações de humor e outros sintomas raros, porém relevantes.

Importância do acompanhamento de saúde

Além disso, a orientação para profissionais de saúde foi reforçada. Médicos devem avaliar histórico psiquiátrico antes de prescrever e monitorar sinais emocionais e sexuais durante o uso do medicamento.

Na prática, isso não significa que o medicamento ficou “mais perigoso”, mas sim que houve um aumento na exigência de informação e vigilância sobre efeitos adversos raros, porém relevantes.

Se você já apresenta sintomas como ereção fraca ou está considerando iniciar o tratamento, esse histórico deve ser discutido com um médico antes da prescrição. Isso te permite uma decisão individualizada, baseada em risco e benefício.

O que lembrar

  • A relação entre finasterida e disfunção erétil é real, documentada e levada a sério pelas agências regulatórias, inclusive pela Anvisa, que atualizou as exigências de bula em 2025.
  • Os dados dos estudos controlados mostram que o risco absoluto é pequeno na dose usada para calvície, e que uma parcela relevante das queixas na prática clínica envolve o efeito nocebo.
  • Qualquer decisão sobre iniciar, manter ou interromper o uso deve passar por avaliação médica que considere o histórico individual de saúde sexual e mental.
  • Este conteúdo é apenas informativo e não substitui uma avaliação médica individualizada. O uso de qualquer medicamento deve ser feito apenas com prescrição válida e supervisão profissional.
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Perguntas Frequentes

Referências
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Mella JM et al. Efficacy and safety of finasteride therapy for androgenetic alopecia: a systematic review. Arch Dermatolscribble-underline. 2010;146(10):1141-1150. Disponível em: https://sbmfc.org.br/finasterida-oral-aumenta-quantidade-de-cabelos-mas-pode-aumentar-a-disfuncao-sexual/

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Mondaini N et al. Finasteride 5 mg and sexual side effects: how many of these are related to a nocebo phenomenon? J Sex Medscribble-underline. 2007;4:1708-1712. Citado em: https://www.nature.com/articles/ncpuro1012

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Pereira AFJR, Coelho TOA. Síndrome pós-finasterida. An Bras Dermatolscribble-underline. 2020;95(3):271-277. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC7253896/

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Clapauch R. Finasterida e disfunção erétil: fato ou ficção? Brasília Médscribble-underline. 2011;48(4):422-427. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/lil-639311

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Liu L et al. Metanálise de 17 ECRs (n=17.494) sobre efeitos adversos sexuais de inibidores 5-alfa redutase. Discutido em: https://www.psychiatrist.com/jcp/why-odds-ratios-can-be-tricky-statistics/

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Sharma R et al. Finasteride: its impact on sexual function and prostate cancer. Indian J Urolscribble-underline. 2010. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC2840927/

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Na MANUAL, garantimos que tudo o que você lê em nosso blog é revisado e aprovado por profissionais de saúde. No entanto, as informações fornecidas não substituem aconselhamento, diagnóstico ou tratamento médico profissional. Elas não devem ser utilizadas como orientação médica individual.