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Finasterida 1 mg ou 5 mg: para que serve cada dose e qual a diferença

A mesma substância tem duas doses, mas indicações bem diferentes.

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Aprovado por:

Equipe médica

icon16 de julho de 2026
Escrito com base em estudos científicos
Tempo de leitura: 6 min
Aviso Importante:

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para queda capilar deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde.

A finasterida é encontrada principalmente em duas doses: 1 mg, indicada para o tratamento da calvície masculina (alopecia androgenética), e 5 mg, usada no tratamento da hiperplasia prostática benigna (aumento da próstata). Apesar de terem o mesmo princípio ativo, as doses têm objetivos diferentes.

A finasterida 1 mg atua reduzindo a ação da DHT, hormônio relacionado à miniaturização dos fios em homens geneticamente predispostos à calvície. Já a finasterida 5 mg é usada para reduzir o volume da próstata e melhorar sintomas urinários em homens com hiperplasia prostática benigna.

Parte da confusão sobre os efeitos colaterais vem de estudos feitos com a dose de 5 mg sendo associados ao uso de 1 mg para cabelo. Como as indicações e os grupos estudados são diferentes, esses dados não devem ser comparados diretamente.

Para que serve a finasterida 1mg

A indicação em bula é o tratamento de homens com calvície de padrão masculino, nome popular da alopecia androgenética, para aumentar o crescimento e prevenir a queda adicional de cabelo.

A substância foi aprovada para hiperplasia prostática benigna em 1992 e para a calvície masculina em 1997. São quase três décadas de uso e de literatura acumulada.

A finasterida não é indicada para mulheres nem para crianças, e é contraindicada a grávidas ou mulheres que possam engravidar. O medicamento exige prescrição médica.

Como a finasterida age

A calvície androgenética acontece porque o DHT, um hormônio derivado da testosterona, se liga aos folículos de quem tem predisposição genética e desencadeia a miniaturização. O fio nasce cada vez mais fino, até deixar de ser visível.

A finasterida bloqueia a enzima 5-alfa-redutase do tipo 2, que é a responsável por converter testosterona em DHT. Com menos DHT circulando, o processo de miniaturização desacelera.

A meia-vida da substância é curta, entre 4,7 e 7,1 horas, conforme a revisão publicada nos Anais Brasileiros de Dermatologia. Ela reduz o DHT no sangue, na próstata e no couro cabeludo, e eleva discretamente a testosterona.

Esse aumento da testosterona costuma não ultrapassar os valores laboratoriais de referência, o que ajuda a responder uma dúvida comum: o medicamento não age reduzindo a testosterona, e sim impedindo que ela vire DHT.

A diferença entre 1mg e 5mg

Duas indicações, dois públicos

A dose de 1 mg é a associada ao tratamento capilar. A de 5 mg é usada na hiperplasia prostática benigna, condição em que a próstata aumenta de tamanho e causa dificuldade para urinar, e que atinge sobretudo homens mais velhos.

São públicos com perfis bem diferentes. Os estudos com 5 mg envolvem homens mais velhos, com sintomas urinários e frequentemente com fatores de risco cardiovascular, que por si só aumentam a chance de disfunção erétil.

Por que a dose maior não é melhor para o cabelo

A intuição sugere que mais medicamento traria mais resultado. Os dados de segurança dizem outra coisa. Segundo a revisão publicada na Revista Brasileira de Medicina, que analisou ensaios cegos randomizados controlados por placebo, a incidência de disfunção erétil foi de 4% com 1 mg contra 2% no placebo, e de 15% com 5 mg contra 6% no placebo.

Ou seja, a dose da próstata tem um perfil de efeito adverso sexual sensivelmente pior, num público que já parte de um risco basal maior. Não há ganho capilar que justifique essa troca.

Esses são os números que costumam ser confundidos. Quando alguém lê que a finasterida causa disfunção erétil em 15% dos homens, está lendo o dado da dose de 5 mg. Sobre o efeito específico na função erétil, o blog tem um artigo dedicado ao tema.

Qualquer decisão sobre dose é do médico que avalia o caso, e leva em conta o quadro clínico inteiro, não apenas o cabelo.

A dose certa depende de avaliação médica
Na Manual, a avaliação é online e define o protocolo para o seu caso.

O que os estudos mostram sobre eficácia

O ensaio clínico randomizado de Kaufman e colaboradores, publicado no Journal of the American Academy of Dermatology, acompanhou 1.553 homens por dois anos e encontrou aumento clinicamente significativo na contagem capilar em relação ao placebo.

O detalhe mais informativo do estudo está no grupo controle: quem recebeu placebo perdeu cabelo progressivamente ao longo do período. A calvície avança, e conter esse avanço já é resultado.

A bula registra que o uso diário por três meses ou mais costuma ser necessário antes que se observe aumento de crescimento capilar ou prevenção da queda, e que o uso contínuo é recomendado para a obtenção do máximo benefício.

Esse ponto merece atenção de quem está começando: o efeito depende de continuidade. A interrupção leva à retomada gradual da queda, assunto tratado em detalhe no artigo sobre alopecia ter cura ou não.

A finasterida também é frequentemente usada em protocolo combinado com o minoxidil, porque os dois agem por mecanismos diferentes e complementares. E há a comparação com a dutasterida, o outro inibidor da 5-alfa-redutase disponível.

Efeitos colaterais: o que os números dizem

Os efeitos sexuais nos ensaios

Nos ensaios clínicos com a dose de 1 mg, os eventos adversos de natureza sexual apareceram em 4,2% dos usuários, contra 2,2% de quem recebeu placebo, em um ano de acompanhamento com 1.553 homens.

Abrindo esses números: libido diminuída em 1,9% contra 1,3% do placebo, redução do volume ejaculado em 1,0% contra 0,4%, e disfunção erétil em 1,4% contra 0,9%.

A comparação com o placebo é o que dá sentido a esses valores. Parte dos sintomas relatados aparece também em quem não tomou o medicamento, o que ajuda a dimensionar quanto é atribuível à substância.

A bula registra que a descontinuação do tratamento por efeito adverso clínico ocorreu em 1,7% dos homens que receberam finasterida e em 2,1% dos que receberam placebo, em três estudos de 12 meses com mais de 3.200 participantes.

Há ainda um fenômeno bem documentado que complica a leitura desses dados. A mesma revisão da Revista Brasileira de Medicina aponta que, quando o aconselhamento médico sobre efeitos sexuais adversos é fornecido junto com a prescrição, o risco de disfunção quase triplica, num mecanismo conhecido como efeito nocebo.

Isso não significa que os efeitos sejam imaginários. Significa que a expectativa influencia o desfecho, algo que também acontece na disfunção erétil de origem psicológica.

O alerta da Anvisa de 2025

Em 2025, a Anvisa publicou o Alerta GGMON 07/2025, sobre medidas de minimização de risco associadas à finasterida e à dutasterida de uso oral.

A agência informou que foram identificadas evidências de risco aumentado de disfunção sexual, alterações de humor, depressão e ideação suicida em pacientes que utilizam essas substâncias em doses usuais ou regularmente recomendadas.

A medida partiu de uma revisão do Comitê de Avaliação de Risco em Farmacovigilância da Agência Europeia de Medicamentos, que confirmou a existência dessas evidências, especialmente na dose de 1 mg usada para a calvície.

Dois pontos do alerta precisam ser lidos com atenção, porque costumam ser omitidos.

  • O primeiro: mesmo com as novas evidências, o comitê europeu concluiu que os benefícios da finasterida e da dutasterida continuam a superar seus riscos para todos os usos aprovados. O medicamento segue registrado e indicado.
  • O segundo: a frequência desses eventos adversos é desconhecida. Isso é diferente de dizer que são raros. Significa que os dados disponíveis não permitem estimar com que frequência acontecem, e é por isso que a Anvisa determinou a atualização das bulas e a orientação ativa dos pacientes.

A síndrome pós-finasterida

Alguns homens relatam sintomas sexuais, neuropsiquiátricos ou físicos que persistem por meses ou anos depois de interromper o medicamento. O conjunto desses relatos recebeu o nome de síndrome pós-finasterida.

O estado da questão é honestamente incerto. A revisão publicada nos Anais Brasileiros de Dermatologia conclui que os estudos disponíveis até o momento não permitem refutar nem confirmar a síndrome pós-finasterida como uma entidade nosológica.

A mesma revisão acrescenta uma ponderação prática: caso a síndrome de fato exista, parece ocorrer em indivíduos suscetíveis, expostos mesmo que a pequenas doses e por curto período.

Daí uma recomendação que faz sentido independentemente do desfecho do debate: o emprego de inibidores da 5-alfa-redutase em pessoas com história prévia de depressão, disfunção sexual ou infertilidade deve ser avaliado com cautela.

Na maior parte dos casos descritos nos ensaios, os efeitos sexuais foram reversíveis, resolvendo-se após a interrupção e mesmo com a continuidade do tratamento. A persistência é relatada por uma minoria, e a discussão sobre o que a causa segue aberta.

Finasterida e o exame de próstata

Este é um efeito pouco comentado e clinicamente relevante. A finasterida reduz os níveis de PSA, o antígeno prostático específico usado no rastreamento do câncer de próstata.

A bula registra que, em homens de 18 a 41 anos, a concentração média de PSA caiu de 0,7 ng/mL para 0,5 ng/mL em 12 meses de uso. Em homens mais velhos que usam a substância e têm hiperplasia prostática benigna, os níveis de PSA diminuem aproximadamente 50%.

A consequência prática é direta: quem usa finasterida e vai fazer exame de próstata precisa informar isso ao médico, para que o resultado seja interpretado corretamente. Um PSA aparentemente normal pode estar mascarado pelo medicamento.

O que lembrar:

  • A finasterida 1 mg é a dose indicada para a calvície masculina, enquanto a de 5 mg trata o aumento benigno da próstata. Confundir as duas é o que faz circular números de efeito colateral que não correspondem ao público que toma o medicamento para o cabelo.
  • Nos ensaios com 1 mg, os efeitos sexuais apareceram em 4,2% dos usuários contra 2,2% do placebo. O que mostra possíveis chances de causas de efeitos de cunho psicológico.
  • Em 2025, a Anvisa emitiu alerta sobre risco de alterações de humor, depressão associadas à substância, com frequência desconhecida, mantendo que os benefícios superam os riscos nas indicações aprovadas.
  • Nada disso se decide por conta própria. A finasterida exige prescrição, e a avaliação médica é o que pesa benefício e risco para cada caso.
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Perguntas Frequentes

Referências
icon¹

Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Alerta GGMON 07/2025: Medidas de minimização de risco de disfunção sexual, alterações de humor, depressão e ideação suicida associada à finasterida e dutasterida de uso oral. 2025. http://antigo.anvisa.gov.br/en/novahome/-/asset_publisher/0tCLJ0fvWFWI/content/medidas-de-minimizacao-de-risco-de-disfuncao-sexual-alteracoes-de-humor-depressao-e-ideacao-suicida-associada-a-finasterida-e-dutasterida-de-uso-oral/33868

icon²

Kaufman KD, Olsen EA, Whiting D, et al. Finasteride in the treatment of men with androgenetic alopecia. Journal of the American Academy of Dermatology. 1998. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/9777765/

icon³

Finasterida e disfunção erétil: fato ou ficção? Revista Brasileira de Medicina. https://rbm.org.br/details/247/pt-BR/finasterida-e-disfuncao-eretil--fato-ou-ficcao-

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Síndrome pós-finasterida. Anais Brasileiros de Dermatologia. https://www.anaisdedermatologia.org.br/pt-sindrome-posfinasterida-articulo-S266627522030165X

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