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Queda Capilar

Finasterida: o que é, para que serve e efeitos colaterais

Veja o que os ensaios clínicos mostram sobre eficácia, tempo de resposta e os riscos que a Anvisa passou a exigir em bula.


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Aprovado por

Equipe médica

iconÚltima atualização 8 de julho 2026
Escrito com base em estudos científicos
Tempo de leitura: 5 min
Aviso Importante:

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para queda capilar deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde. ​‍

A finasterida é um medicamento de uso oral aprovado pela Anvisa para o tratamento da alopecia androgenética, nome técnico da calvície masculina. Ela reduz a produção de di-hidrotestosterona, o hormônio associado à miniaturização dos fios, e por isso age sobre a causa hormonal da queda.

Em ensaios clínicos controlados com mais de 1.500 homens, o uso diário reduziu a progressão da queda e aumentou o crescimento capilar ao longo de dois anos. A percepção de melhora costuma aparecer a partir do quarto mês e depende da continuidade do tratamento.

Em 2025, a Anvisa determinou a atualização das bulas de finasterida e dutasterida para incluir advertências sobre disfunção sexual, alterações de humor, depressão e ideação suicida, o que tornou a prescrição e o acompanhamento médico ainda mais centrais na decisão de tratar.

Como a finasterida age contra a queda de cabelo

A queda androgenética começa com a ação da di-hidrotestosterona, o DHT, sobre os receptores dos folículos de quem tem predisposição genética. O hormônio provoca a miniaturização progressiva do fio, que afina, tem o ciclo de crescimento encurtado e deixa de nascer.

O DHT vem da conversão da testosterona pela enzima 5-alfa-redutase. A finasterida inibe essa enzima e reduz a quantidade de DHT no soro e no couro cabeludo.

Com menos DHT agindo sobre o folículo, a agressão diminui e o fio tem condições de retomar o crescimento. Por esse mecanismo, a finasterida integra a classe dos bloqueadores de DHT, ao lado da dutasterida.

As diferenças de potência e de mecanismo entre as duas estão detalhadas na comparação entre dutasterida e finasterida.

Existe ainda uma formulação de aplicação no couro cabeludo, com exposição sistêmica bem menor e status regulatório diferente no Brasil. O que os ensaios clínicos mostram sobre a finasterida tópica está detalhado em outro artigo.

Em quanto tempo a finasterida começa a fazer efeito

Nos estudos que acompanharam o uso diário por dois anos, a melhora do crescimento capilar apareceu de forma progressiva, com diferença significativa em relação ao placebo já no primeiro ano e ganho adicional no segundo.

Os primeiros meses costumam ser de mudanças pouco visíveis, porque o medicamento age sobre o ciclo do fio antes de o resultado aparecer no espelho. A percepção de melhora tende a surgir entre o quarto e o sexto mês, com variação relevante de pessoa para pessoa.

Um aumento temporário da queda no início do tratamento também é descrito com terapias que alteram o ciclo capilar, fenômeno conhecido como efeito shedding.

Os resultados se mantêm enquanto o tratamento é mantido, conforme a orientação médica, porque o medicamento controla a condição sem curá-la.

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Por que a finasterida exige prescrição

Medicamentos à base de finasterida não são isentos de prescrição. A avaliação médica é o que permite considerar histórico de saúde, contraindicações e a relação entre benefício e risco antes de iniciar, manter ou interromper o uso.

A automedicação retira essa camada de avaliação em um tratamento que altera o equilíbrio hormonal e exige monitoramento ao longo do tempo. Informações sobre apresentação, posologia e cuidados de uso constam da bula aprovada e da prescrição individual.

Em boa parte dos protocolos, o bloqueador de DHT aparece associado ao minoxidil, que age por um mecanismo diferente. O funcionamento do tratamento combinado está detalhado em outro artigo.

Efeitos colaterais da finasterida

A informação de prescrição do medicamento descreve, entre os eventos adversos relatados em estudos clínicos, redução da libido, disfunção erétil e alteração do volume ejaculado, além de sensibilidade ou aumento das mamas e reações de hipersensibilidade.

Nos estudos de 12 meses com a dose usada para calvície, a incidência combinada de qualquer evento adverso sexual foi de 3,8% no grupo tratado contra 2,1% no placebo.

Analisadas isoladamente, disfunção erétil e redução da libido apareceram em pouco mais de 1% dos participantes, e a incidência caiu ao longo dos anos seguintes de acompanhamento.

Relatos de sintomas sexuais que persistiram após a interrupção foram descritos na literatura e incorporados às bulas por agências regulatórias de vários países.

O que mudou com o alerta da Anvisa

Em junho de 2025, a Anvisa publicou um alerta de farmacovigilância sobre finasterida e dutasterida de uso oral, depois da revisão conduzida pelo comitê de farmacovigilância da agência europeia de medicamentos.

O documento reconhece evidência de risco de disfunção sexual, alterações de humor, depressão e ideação suicida, com atenção especial à dose usada no tratamento da alopecia androgenética.

O alerta registra que a frequência desses eventos é desconhecida, ou seja, não pode ser estimada a partir dos dados disponíveis, e que os sintomas podem persistir após a suspensão. A orientação às equipes de saúde é monitorar sinais de depressão, ansiedade e pensamentos suicidas durante o uso e depois dele.

A mesma revisão concluiu que o benefício dos medicamentos continua superando os riscos nas indicações aprovadas. Diante de qualquer um desses sintomas, a orientação é suspender o tratamento e procurar um profissional de saúde.

Saúde sexual e efeito nocebo

A expectativa também influencia o relato de sintomas. Um estudo publicado no Journal of Sexual Medicine observou que homens informados previamente sobre a possibilidade de efeitos sexuais relataram esses sintomas com frequência muito maior do que os não informados, um exemplo de efeito nocebo.

O achado ajuda a interpretar parte dos relatos, sem anular o risco reconhecido pelas agências reguladoras. Para quem convive com esse receio, a disfunção erétil de origem psicológica e a relação entre finasterida e disfunção erétil são discutidas em detalhe em outros artigos.

O que os estudos dizem sobre outros receios

Testosterona e massa muscular

Ao inibir a 5-alfa-redutase, a finasterida reduz de forma acentuada o DHT circulante e provoca um aumento discreto da testosterona, que permanece dentro da faixa de normalidade, segundo a informação de prescrição.

Massa muscular e desempenho físico não foram desfechos avaliados nos ensaios clínicos de eficácia para calvície, o que significa que esses estudos não sustentam afirmações de ganho nem de perda.

Câncer de próstata

Um estudo publicado no New England Journal of Medicine em 2003 observou redução de cerca de 25% no risco de diagnóstico de câncer de próstata entre usuários de finasterida, acompanhada de proporção maior de tumores classificados como de alto grau, achado que gerou preocupação por anos.

A análise de longo prazo do mesmo grupo, com mediana de 18 anos de seguimento, não encontrou aumento na mortalidade por câncer de próstata entre os usuários. O medicamento altera os níveis de PSA, o que precisa ser considerado na interpretação do exame, e decisões sobre rastreamento seguem individuais e conduzidas pelo médico.

Fertilidade

A informação de prescrição registra, entre os relatos pós-comercialização, casos de infertilidade masculina e piora da qualidade seminal, com normalização ou melhora após a interrupção.

Em uma série publicada na Fertility and Sterility com homens que já investigavam infertilidade, o uso de finasterida foi associado à redução dos parâmetros seminais, reversível na maior parte dos casos após a suspensão. Homens que planejam ter filhos ou que já investigam infertilidade têm motivo para discutir o assunto com o médico antes de iniciar ou manter o tratamento.

O que lembrar:

  • A finasterida age sobre a causa hormonal da alopecia androgenética ao reduzir a produção de DHT, e tem eficácia demonstrada em ensaios clínicos controlados para frear a progressão da queda e recuperar densidade ao longo do primeiro e do segundo ano de uso.
  • O efeito depende da continuidade, porque o medicamento controla a condição sem curá-la.
  • Desde 2025, a Anvisa exige que a bula traga advertências sobre disfunção sexual, alterações de humor, depressão e ideação suicida, com frequência ainda não estimável e possibilidade de persistência após a suspensão, o que faz da prescrição e do acompanhamento médico parte indispensável do tratamento.
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Perguntas Frequentes

Referências

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Zito PM, Bistas KG, Patel P, Syed K. Finasteride. StatPearls. 2024. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK513329/

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Thompson IM, Goodman PJ, Tangen CM, et al. The influence of finasteride on the development of prostate cancer. N Engl J Med. 2003. https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa030660

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Goodman PJ, Tangen CM, Darke AK, et al. Long-term effects of finasteride on prostate cancer mortality. N Engl J Med. 2019. https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMc1809961

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Mysore V. Finasteride and sexual side effects. Indian Dermatol Online J. 2012. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3505399/

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Mondaini N, Gontero P, Giubilei G, et al. Finasteride 5 mg and sexual side effects: how many of these are related to a nocebo phenomenon? J Sex Med. 2007. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/17919293/

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