Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para queda capilar deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde.
O cabelo não cresce de forma contínua. Cada fio passa por um ciclo próprio de crescimento, descanso e queda, e começa tudo de novo. Esse processo acontece em momentos diferentes para cada folículo, o que explica por que perdemos entre 60 e 100 fios por dia sem que o volume geral do cabelo mude.
Na calvície androgenética, esse ciclo é progressivamente perturbado. O resultado não é uma queda abrupta, mas um processo lento em que os fios ficam cada vez mais finos até pararem de crescer.
As três fases do ciclo capilar
Todo folículo capilar passa por três fases de forma contínua ao longo da vida. Elas não acontecem no mesmo momento para todos os fios, o que garante que o couro cabeludo sempre tenha cabelos em diferentes estágios de desenvolvimento.
Fase anágena: o período de crescimento
É a fase ativa. O folículo está produzindo cabelo, as células se dividem rapidamente e o fio cresce. Essa fase dura entre três e dez anos, dependendo da genética de cada pessoa, e determina o comprimento máximo que o cabelo pode atingir.
Cerca de 85% dos folículos do couro cabeludo estão nessa fase em qualquer momento. Quanto mais longa a fase anágena, mais longo e espesso o fio consegue ser.
Fase catágena: a transição
Dura entre uma e três semanas. O folículo desacelera, para de produzir cabelo e o fio começa a se desconectar da base nutritiva. É uma fase de passagem: o fio não cai ainda, mas o folículo já está se preparando para o repouso.
Apenas cerca de 1% dos folículos está nessa fase ao mesmo tempo, o que reflete sua brevidade dentro do ciclo.
Fase telógena: o repouso
O folículo entra em repouso. O fio permanece no lugar por dois a quatro meses sem crescer, até que o próximo ciclo anágeno se inicie e o empurre naturalmente para fora. Esse é o mecanismo por trás da queda normal de 60 a 100 fios por dia: são fios que completaram o ciclo e estão sendo substituídos.
Entre 10 e 15% dos folículos estão nessa fase a qualquer momento. Quando esse percentual aumenta de forma anormal (por estresse, deficiência nutricional ou outras causas) ocorre o que chamamos de eflúvio telógeno: uma queda difusa e temporária, diferente da progressão da calvície androgenética.
Como a calvície perturba esse ciclo
A calvície androgenética não causa queda repentina. O que acontece é uma perturbação gradual do ciclo capilar, impulsionada pelo DHT.
O DHT (di-hidrotestosterona) é um hormônio derivado da testosterona. Em homens com predisposição genética, ele se liga aos receptores dos folículos do couro cabeludo e vai encurtando progressivamente a fase anágena. Um folículo que antes ficava oito anos produzindo cabelo passa a ficar quatro anos, depois dois, depois meses.
Ao mesmo tempo, a fase telógena se alonga. O fio fica mais tempo parado, cresce menos, fica mais fino. Com cada ciclo que passa, o dano se acumula. Eventualmente, o folículo pode se tornar permanentemente inativo.
Esse processo é lento e silencioso. Os primeiros sinais costumam aparecer no topo da cabeça e nas entradas, seguindo o padrão descrito pela escala de Norwood. Quanto mais tempo passa sem tratamento, mais difícil é reverter o dano acumulado.
O que o envelhecimento faz ao ciclo capilar
Com a idade, a fase anágena naturalmente encurta e a telógena se alonga, mesmo em homens sem calvície. O resultado é um cabelo que cresce mais devagar, fica menos espesso e demora mais para se renovar.
Na calvície androgenética, esse processo é acelerado pela ação do DHT. Os dois fatores — envelhecimento e hormônio — somam-se, o que explica por que a calvície tende a se acentuar com o tempo sem tratamento.
Como os tratamentos atuam no ciclo capilar
Os tratamentos com maior evidência para calvície androgenética atuam diretamente sobre o ciclo capilar, cada um por uma via diferente.
Minoxidil
O minoxidil prolonga a fase anágena e encurta a telógena. Age como vasodilatador, aumentando o fluxo sanguíneo nos folículos e estimulando folículos dormentes a entrarem na fase de crescimento. Mais de 60% dos usuários registram interrupção ou reversão da queda com uso contínuo.
Nas primeiras semanas, alguns usuários percebem um aumento temporário na queda. Esse é o efeito shedding: o minoxidil acelera a transição de fios em fase telógena para dar lugar a fios novos. É um sinal de que o medicamento está agindo, não de que o tratamento está falhando.
Bloqueadores de DHT
Finasterida, dutasterida e saw palmetto atuam inibindo a enzima 5-alfa-redutase, responsável pela conversão de testosterona em DHT. Com menos DHT disponível, o processo de encurtamento da fase anágena desacelera ou para. Os bloqueadores de DHT são os únicos tratamentos que agem sobre a causa da calvície androgenética, e não apenas sobre os sintomas.
Tratamento combinado
A combinação de minoxidil com um bloqueador de DHT ataca a calvície por duas frentes: um estimula o crescimento, o outro remove o fator que causa a miniaturização. Um estudo randomizado mostrou eficácia em 94% dos casos com esse protocolo combinado. É a abordagem com maior evidência disponível para calvície androgenética.
O que lembrar
- O ciclo capilar é um processo biológico contínuo que sustenta a renovação dos fios ao longo da vida.
- Na calvície androgenética, o DHT vai encurtando a fase de crescimento com cada ciclo que passa, até que o folículo pode perder a capacidade de produzir cabelo.
- Os tratamentos disponíveis atuam justamente nesse ponto: prolongando a fase anágena, reduzindo o DHT ou fazendo os dois ao mesmo tempo.
- Começar cedo, enquanto os folículos ainda estão ativos, é o que determina o resultado.

