
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para queda capilar deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde.
A testosterona é o principal hormônio sexual masculino e influencia muito mais do que a libido. Ela tem papel na composição corporal, na densidade óssea, no humor e na energia. Quando os níveis caem, os sintomas são difusos: fadiga, queda de desempenho nos treinos, dificuldades sexuais, irritabilidade.
Diante disso, não surpreende que muitos homens busquem formas naturais de otimizar esses níveis, e alguns suplementos costumam aparecer nessa lista. Tribulus terrestris, maca peruana, ginseng panax e zinco são os mais citados. Mas o que os estudos realmente mostram sobre cada um?
O papel da testosterona na saúde masculina
Produzida principalmente nos testículos, a testosterona age em quase todos os tecidos do organismo. Ela regula a massa muscular, a gordura corporal, a produção de esperma, o humor e a função erétil. Seus níveis naturalmente diminuem com a idade, a partir dos 30 anos, a uma taxa de cerca de 1% ao ano.
Quedas mais acentuadas caracterizam o hipogonadismo, condição que exige diagnóstico médico e, em muitos casos, tratamento específico. Suplementos podem ter papel de suporte em homens com níveis na faixa limítrofe, mas não substituem a avaliação hormonal nem o tratamento quando indicado.
Tribulus terrestris
O tribulus terrestris é uma planta usada há séculos em medicina tradicional indiana e chinesa, principalmente por suas propriedades associadas à função sexual e à vitalidade.
Estudos mostram potencial anti-inflamatório, antimicrobiano e antioxidante, e há evidências de que pode ajudar no manejo da infertilidade e da libido diminuída.
Quanto ao desempenho físico, um estudo publicado em 2021 identificou que o tribulus pode atenuar a fadiga e auxiliar na recuperação após esforço físico. O mecanismo provável envolve compostos chamados saponinas esteroídicas, que influenciariam a produção de hormônios luteinizante e folículo-estimulante.
O ponto que merece atenção: as evidências sobre aumento direto de testosterona em homens saudáveis são mistas. Os estudos mais promissores envolvem homens com deficiências hormonais diagnosticadas, não a população geral.
No Brasil, a venda de tribulus terrestris como suplemento foi restringida pela Anvisa, sendo comercializado apenas em farmácias de manipulação mediante prescrição médica.
Maca peruana
A maca peruana (Lepidium meyenii) é um tubérculo cultivado nos Andes há mais de dois mil anos, conhecido por suas propriedades nutricionais.
Em termos de função sexual, um estudo clínico randomizado com homens entre 21 e 56 anos verificou melhora no desejo sexual a partir da oitava semana de uso, em comparação ao placebo.
O mecanismo de ação da maca não está totalmente esclarecido. Diferentemente do tribulus, ela não parece elevar diretamente os níveis de testosterona, mas age por outras vias, possivelmente relacionadas a alcaloides específicos que influenciam o sistema endócrino de forma indireta.
Além dos efeitos sobre a libido, há indicações preliminares de benefícios para o humor e a cognição, embora as pesquisas nessa área ainda sejam limitadas. Mulheres em menopausa também são estudadas nesse contexto, o que sugere que o mecanismo de ação seja mais amplo do que puramente hormonal.
Ginseng panax
O ginseng panax, também chamado de ginseng asiático ou coreano, é um dos fitoterápicos mais estudados do mundo. Seus principais compostos ativos, os ginsenosídeos, têm ação sobre o sistema nervoso central, o metabolismo e o estresse oxidativo.
No campo sexual, estudos farmacológicos documentam efeitos sobre a libido e a função erétil, provavelmente mediados pelo aumento da produção de óxido nítrico.
Sobre testosterona especificamente, os dados são mais limitados. Experimentos em modelos animais mostraram aumento dos níveis do hormônio, mas resultados em humanos são menos consistentes.
O ginseng tem evidências mais robustas para redução da fadiga, melhora da resposta ao estresse e suporte ao desempenho cognitivo do que como agente testosterogênico direto.
Zinco
O zinco é o único item dessa lista que tem relação causal bem estabelecida com a testosterona. Um estudo clínico americano demonstrou que homens jovens submetidos a restrição dietética de zinco por 20 semanas apresentaram queda significativa nas concentrações do hormônio. A reposição do mineral reverteu esse quadro.
O mecanismo é direto: o zinco é cofator em enzimas envolvidas na síntese de testosterona. A deficiência do mineral, portanto, compromete a produção hormonal. No entanto, a suplementação só faz sentido quando há deficiência confirmada. Em homens com níveis adequados, doses adicionais de zinco não elevam a testosterona além do que é fisiologicamente esperado.
A deficiência de zinco não é incomum, especialmente em homens com alta demanda física, dietas restritivas ou problemas de absorção. Um exame simples de sangue consegue identificar o status do mineral.
Testosterona, DHT e a queda de cabelo
Há uma conexão direta entre testosterona e calvície masculina que vale entender. A testosterona é convertida em di-hidrotestosterona (DHT) pela enzima 5-alfa-redutase, e o DHT é o principal responsável pela alopecia androgenética, o tipo mais comum de queda de cabelo em homens.
Isso significa que homens com maior sensibilidade ao DHT nos folículos capilares têm maior predisposição à calvície, independentemente dos níveis absolutos de testosterona.
Tratamentos como finasterida e dutasterida atuam justamente bloqueando essa conversão. Se a queda de cabelo é uma preocupação, vale entender melhor como os bloqueadores de DHT funcionam e como se diferenciam.
O que faz sentido considerar
Fazendo um resumo de casa um, podemos dizer que:
- O zinco tem a evidência mais sólida de todas para a relação com testosterona, mas apenas quando há deficiência.
- O ginseng tem suporte razoável para função sexual e energia.
- A maca peruana mostrou resultados interessantes para libido, sem relação clara com testosterona.
- O tribulus, apesar da popularidade, tem as evidências mais inconsistentes em humanos saudáveis.
Mas, ainda que existam algumas evidências, nenhum suplemento substitui a investigação médica quando há suspeita de hipogonadismo. Sintomas como fadiga persistente, queda acentuada de libido, dificuldades eréteis ou perda de massa muscular merecem avaliação com exames de sangue, não apenas suplementação empírica.
O tratamento com mais chances de funcionar, sempre será aquele feito com diagnóstico seguro e acompanhamento.
O que lembrar
- Suplementos como zinco, maca peruana, ginseng e tribulus têm graus diferentes de evidência para suporte hormonal e função sexual.
- O zinco é o único com relação causal bem documentada com testosterona, e apenas quando há deficiência.
- Para os demais, os mecanismos são menos claros e os resultados dependem muito do perfil de cada pessoa.
- Antes de qualquer suplementação, faz sentido investigar o que está de fato acontecendo com um médico.

