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Alopecia: o que é, quais os tipos e o que fazer em cada caso

Entenda por que o mesmo nome cobre quadros tão diferentes, da queda temporária à calvície hereditária, e como o diagnóstico certo muda o tratamento.

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Aprovado por:

Dr. Earim Chaudry

iconAtualizado em 11 de setembro de 2026
Escrito com base em estudos científicos
Aviso Importante:

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para queda capilar deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde.

Alopecia é o termo médico usado para diferentes condições que provocam perda ou redução de pelos, principalmente no couro cabeludo. Ela pode aparecer como afinamento progressivo dos fios, falhas bem delimitadas ou queda intensa e difusa, dependendo da causa.

Por isso, alopecia não é sinônimo de calvície nem representa um único diagnóstico: identificar o tipo de queda é o primeiro passo para entender se o fio pode voltar a crescer e qual tratamento pode funcionar.

Quais são os principais tipos de alopecia

As alopecias são divididas inicialmente em dois grandes grupos. Nas não cicatriciais, o folículo permanece preservado e pode voltar a produzir fios.

É o caso da alopecia androgenética, da alopecia areata e do eflúvio telógeno. Já nas cicatriciais, o folículo é destruído e substituído por tecido fibroso, o que torna a perda daquela região permanente.

A alopecia androgenética é a forma mais comum entre os homens e está relacionada à genética e à ação hormonal. Ela atinge cerca de metade dos homens até os 50 anos.

A alopecia areata, por outro lado, é uma doença autoimune que afeta cerca de 2% das pessoas ao longo da vida. O eflúvio telógeno costuma surgir como uma queda reativa e temporária, enquanto as alopecias cicatriciais exigem atenção rápida justamente pelo risco de perda definitiva dos folículos.

Também é importante separar alopecia da queda diária normal. Perder em torno de 100 fios por dia pode fazer parte do ciclo de crescimento do cabelo, e esse número isoladamente diz pouco.

Já a calvície descreve um padrão de rarefação geralmente associado à alopecia androgenética e tem características próprias.

Alopecia androgenética, o tipo mais comum

Quando um homem nota as entradas avançando ou o topo da cabeça rareando, o quadro mais provável é a alopecia androgenética.

Ela resulta da sensibilidade genética dos folículos ao DHT, um derivado da testosterona que encurta o ciclo de crescimento e miniaturiza os fios de forma progressiva, mecanismo detalhado em como o DHT causa a queda capilar.

Uma revisão publicada na Endocrine estima que metade dos homens apresente o quadro até os 50 anos, com a proporção subindo ao longo da vida.

A herança familiar pesa bastante nessa conta. Uma meta-análise de 31 estudos, somando mais de 11 mil casos, encontrou associação consistente entre histórico familiar e risco de desenvolver a condição. A progressão segue padrões conhecidos, classificados pela escala de Norwood.

Entre todos os tipos, esse é o de tratamento mais bem estabelecido. Ensaios clínicos e meta-análises observaram que bloqueadores de DHT e minoxidil, isolados ou combinados, tendem a estabilizar a queda e a recuperar densidade em boa parte dos homens; uma meta-análise de 2020 registrou resultados superiores com a combinação das duas frentes.

A resposta varia de pessoa para pessoa, e o uso desses medicamentos exige prescrição e acompanhamento médico.

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Alopecia areata

A areata segue outra lógica. Trata-se de uma doença autoimune em que o sistema de defesa ataca os próprios folículos, produzindo falhas arredondadas e bem delimitadas que podem surgir em poucas semanas, em qualquer idade e em ambos os sexos.

O tratamento dessa forma mudou nos últimos anos. O II Consenso da Sociedade Brasileira de Dermatologia, publicado em 2024, incorporou os inibidores de JAK baricitinibe e ritlecitinibe, aprovados pela Anvisa para os quadros graves.

Eflúvio telógeno

Nem toda queda intensa anuncia um processo permanente. No eflúvio telógeno, um gatilho como cirurgia, infecção com febre, perda rápida de peso ou um período de estresse importante empurra muitos fios de uma vez para a fase de queda, e o efeito aparece dois a três meses depois do evento.

A queda é difusa e assusta pelo volume, mas o folículo permanece saudável, e o quadro tende a se resolver quando a causa é afastada.

Alopecias cicatriciais

São o grupo menos comum e o que menos tolera espera. Nas formas cicatriciais, a inflamação destrói o folículo e o substitui por tecido fibroso, tornando a perda daquela região definitiva.

Vermelhidão persistente, descamação, dor ou coceira no couro cabeludo acompanhando a queda pedem avaliação dermatológica rápida, porque o diagnóstico precoce é o que preserva os folículos restantes.

Como descobrir qual é o seu tipo

A distinção entre os tipos raramente se resolve no espelho.

O exame mais usado pelos dermatologistas é a tricoscopia, e uma revisão sistemática com 2.860 pacientes observou variabilidade no diâmetro dos fios em 94% dos casos de alopecia androgenética, um marcador que os outros tipos não costumam apresentar.

Histórico familiar, tempo de evolução e exames complementares completam a investigação. Tentar tratar sem esse diagnóstico é o principal risco da automedicação. Um produto que ajuda em um tipo de alopecia pode ser inútil em outro, e o tempo gasto na abordagem errada segue custando fios.

Alopecia tem tratamento?

O tratamento da alopecia depende do que está provocando a perda dos fios. Na alopecia androgenética, medicamentos podem desacelerar a progressão e estimular o crescimento, especialmente quando o tratamento começa cedo.

No eflúvio telógeno, o foco costuma estar em identificar e corrigir o gatilho da queda. Já a alopecia areata e as formas cicatriciais exigem abordagens específicas, definidas de acordo com a extensão e a atividade da doença.

Por isso, perceber que o cabelo está caindo é apenas o começo da investigação. O mais importante é entender se existe afinamento progressivo, uma queda temporária ou um processo que pode comprometer o folículo de forma permanente.

Com o diagnóstico correto, é possível direcionar o tratamento para a causa em vez de tentar controlar apenas a queda.

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O que lembrar:

  • Alopecia é o nome genérico para diferentes formas de perda de cabelo, e cada uma pede um caminho próprio.
  • A androgenética é de longe a mais comum nos homens, evolui de forma progressiva e conta com tratamentos de eficácia demonstrada em estudos controlados.
  • A areata é autoimune, o eflúvio telógeno costuma ser transitório e as cicatriciais exigem urgência.
  • Em todos os cenários, o diagnóstico médico vem antes de qualquer produto.

Perguntas Frequentes

Referências

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Lolli F, e colaboradores. Androgenetic alopecia: a review. Endocrine. 2017. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28349362/

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Adverse Sexual Effects of Treatment with Finasteride or Dutasteride for Male Androgenetic Alopecia: A Systematic Review and Meta-analysis. Acta Dermato-Venereologica. 2019. https://www.medicaljournals.se/acta/content/html/10.2340/00015555-3035

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Tríade semiológica do eflúvio telógeno agudo em resolução. Anais Brasileiros de Dermatologia. 2021. https://www.anaisdedermatologia.org.br/pt-triade-semiologica-do-efluvio-telogeno-articulo-S2666275221002009

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Trichoscopy of Androgenetic Alopecia: A Systematic Review. International Journal of Trichology. 2024. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11012765/

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