A finasterida usada para tratar calvície reduz o PSA, proteína medida no exame de sangue usado no acompanhamento da próstata. Isso acontece porque o medicamento diminui a ação do DHT, hormônio que participa tanto da calvície quanto do crescimento da próstata. Markdown colado
Um ensaio clínico publicado no The Lancet Oncology mostrou que a dose usada para queda de cabelo também reduz o PSA de forma importante, em magnitude semelhante à observada com a dose maior usada para tratar o aumento benigno da próstata. Markdown colado
Por isso, os autores recomendam que essa redução seja considerada na interpretação do exame. No primeiro ano de uso, o PSA pode cair cerca de 50%, e multiplicar o resultado por dois ajuda a aproximá-lo do valor que seria esperado sem a finasterida. Markdown colado
Isso não torna o exame inútil. Quando o médico sabe que o paciente usa finasterida e interpreta o resultado levando o medicamento em conta, o PSA continua sendo uma ferramenta importante no acompanhamento da próstata.
Estudos indicam, inclusive, que sua capacidade de detectar câncer pode aumentar em usuários de finasterida.
PSA: o que o exame mede
O PSA, sigla em inglês para antígeno prostático específico, é uma proteína produzida pela próstata e medida em um exame de sangue simples.
Valores acima do esperado para a idade podem indicar alterações na próstata, desde aumento benigno e inflamação até câncer, e por isso o exame entra na conversa sobre rastreamento, principalmente a partir da meia-idade.
A leitura do PSA sempre depende de contexto. Idade, tamanho da próstata, exames anteriores e medicamentos em uso fazem parte da interpretação, e é nesse último ponto que a finasterida entra.
Finasterida e PSA: o que acontece com o resultado
A finasterida bloqueia a enzima que transforma testosterona em DHT, o hormônio por trás da calvície, como explicamos no artigo sobre o que é a finasterida. Esse mesmo hormônio estimula a próstata, e por isso o remédio também diminui o tamanho da glândula e a quantidade de PSA que ela produz.
Os estudos com a dose usada para a próstata mostraram que a finasterida reduz o PSA em cerca de 50% nos primeiros 12 meses de uso. O ensaio de 2007 testou a dose da calvície em homens de 40 a 60 anos com queda de cabelo, acompanhados por 48 semanas, e encontrou uma redução parecida no primeiro ano de tratamento.
Sem essa informação, um PSA reduzido pela metade pode parecer normal quando, na verdade, está acima do esperado. A redução do PSA com finasterida já era prevista desde os estudos que aprovaram o remédio para calvície, e há orientações publicadas para a interpretação do exame nesses casos.
Finasterida e PSA: por que o exame continua útil
A preocupação mais comum é que a finasterida possa esconder um câncer de próstata. Os dados do maior estudo sobre o tema apontam em outra direção.
No Prostate Cancer Prevention Trial, que acompanhou milhares de homens por sete anos, uma análise publicada em 2006 mostrou que o PSA teve sensibilidade maior para detectar câncer de próstata nos homens que usavam finasterida do que nos que recebiam placebo.
O mesmo estudo registrou 24,8% menos casos de câncer de próstata no grupo da finasterida, mas também mais casos de tumores de alto grau, um dado que gerou controvérsia.
Os próprios pesquisadores concluíram, em análise posterior, que esse aumento se deveu, ao menos em parte, à melhor detecção proporcionada pelo remédio, e não apenas a um efeito da finasterida sobre o tumor.
Se a queda de cabelo já começou, o tratamento com finasterida pode seguir junto com o acompanhamento da próstata, desde que o médico saiba do uso.
Finasterida e check-up da próstata: o que informar ao médico
O cuidado prático é simples e depende do paciente. Quem usa finasterida para calvície precisa informar o uso ao médico que pedir ou interpretar o PSA, porque o exame em si não mostra que o valor está reduzido pelo remédio.
O ensaio de 2007 foi feito especificamente para confirmar que essa informação também importa na dose baixa, e não só na dose usada para a próstata.
Quem começa o tratamento já com exames de rotina da próstata pode conversar com o médico sobre um PSA antes do início, para ter um valor de referência.
A decisão sobre quando e como fazer o rastreamento depende de idade, histórico familiar e avaliação individual, e a finasterida exige prescrição médica justamente para que esse acompanhamento aconteça.
Calvície e próstata: um tratamento que conversa com o outro
A relação entre finasterida e PSA mostra como um mesmo hormônio age em lugares diferentes do corpo. O DHT que afina os fios também estimula a próstata, e bloquear esse hormônio para tratar a calvície muda um exame usado no acompanhamento da glândula.
Saber disso transforma uma possível fonte de confusão em uma informação simples, que o paciente leva para a consulta e que mantém o exame confiável.
O que lembrar
- A finasterida usada para calvície reduz o PSA de forma parecida com a dose usada para a próstata, com queda de cerca de metade do valor no primeiro ano. Por isso, a recomendação é multiplicar o resultado por dois na interpretação do exame, e o médico precisa saber do uso do remédio.
- Com esse ajuste, o PSA continua útil, e no maior estudo sobre o tema ele teve sensibilidade maior para detectar câncer de próstata em quem usava finasterida. O tratamento da calvície e o acompanhamento da próstata podem caminhar juntos, com orientação médica.
