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Progressiva e alisamento causam queda de cabelo?

Na maior parte dos casos, o que acontece é quebra do fio, e não queda pela raiz. O formol e o ácido glioxílico são a exceção, e a Anvisa proíbe os dois como alisantes.

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Aprovado por:

Dr. Earim Chaudry

Escrito com base em estudos científicos
Atualizado em 01 de outubro de 2026

Resumo rápido:

O alisamento químico costuma causar quebra do fio, e não queda de cabelo pela raiz, porque o folículo permanece funcionando. O risco muda quando há agressão ao couro cabeludo: o uso de formol como alisante é proibido pela Anvisa e pode causar irritação, queimaduras e queda de cabelo, enquanto o ácido glioxílico também não é autorizado para essa finalidade. Associar química a penteados muito apertados ainda aumenta o risco de alopecia por tração.

Aviso Importante: Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para queda capilar deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde.​​​​‌‍​‍​‍‌‍

A química do alisamento costuma quebrar o fio, e quebra não é a mesma coisa que queda pela raiz. São problemas diferentes, com desfechos diferentes. A diferença define tudo, porque o fio quebrado deixa a área com aspecto ralo sem que o folículo tenha parado de produzir.

Há exceções importantes. O formol, proibido pela Anvisa como agente alisante, aparece entre as substâncias capazes de causar queda de cabelo, além de irritação e queimadura no couro cabeludo, e o ácido glioxílico também está fora da lista de ativos autorizados.

Existe ainda o efeito indireto, quando o cabelo alisado passa a ser preso com força. Aí a tração se soma à fragilidade deixada pela química.

Quebra do fio e queda pela raiz: a diferença que muda o diagnóstico

Os dois problemas produzem a mesma queixa, o cabelo parecendo mais ralo, e têm origens opostas. Uma revisão sobre cosméticos capilares, escrita por uma dermatologista brasileira, destaca justamente a importância de distinguir a queda por eflúvio telógeno da perda causada por quebra da haste, distinção que nem sempre fica clara para o paciente.

A pista prática está na ponta do fio perdido. O fio que cai pela raiz traz na base um bulbo esbranquiçado, enquanto o fio quebrado tem as duas pontas irregulares e costuma ser mais curto que o restante do cabelo.

O padrão da perda também ajuda. Quebra por química costuma se concentrar no comprimento e nas áreas mais tratadas, enquanto a calvície segue o desenho das entradas e do topo, descrito no guia de calvície masculina.

O que o alisamento faz na fibra do cabelo

Alisar significa romper e refazer ligações químicas dentro do fio, e nenhum processo desse tipo é neutro para a estrutura. Uma revisão sobre cosméticos em pacientes com queda de cabelo lista entre os efeitos possíveis a quebra da haste, a remoção de lipídios, a perda de proteína e a dermatite de contato.

O risco aumenta quando os procedimentos se acumulam. Alisamento em cabelo recém-descolorido, repetições em intervalo curto e aplicação sobre fios já fragilizados são situações em que o dano se soma, e o resultado aparece semanas depois, quando o fio quebra no comprimento. A própria Anvisa desaconselha a sequência de descoloração e alisamento.

Formol: o que a Anvisa proíbe e por quê

Esse é o ponto em que a química realmente se liga à queda pela raiz. A Anvisa informa que o formol não pode ser usado como alisante capilar no Brasil, e que o uso indevido pode causar irritação, coceira, queimadura, inchaço, descamação e vermelhidão do couro cabeludo, além de queda do cabelo e sintomas respiratórios.

A mesma agência registra que o problema persiste na prática. Em pesquisa da Anvisa, 35% dos fiscais de vigilância sanitária que responderam relataram ter constatado uso irregular de formol em alisantes.

A substância é permitida em cosméticos apenas em concentrações baixas, como conservante, faixa que não produz alisamento. Quando um produto promete alisar por causa do formol, ele está fora do que a regulação autoriza.

O ácido glioxílico, ativo comum em progressivas vendidas como alternativa ao formol, entrou na mesma lista. O Informe de Segurança GGMON 03/2025 registra que ele não está autorizado para alisamento desde a Instrução Normativa 22, de 2023, e que causa danos severos quando aquecido, situação criada justamente pela prancha e pelo secador.

O mesmo informe lista os ativos permitidos para alisamento, entre eles o ácido tioglicólico e seus sais. Ele também recomenda não aplicar alisamento após descoloração, combinação que multiplica o dano.

Química e tração: a combinação que soma risco

Existe um segundo caminho, e ele é mais comum do que parece. A revisão de referência sobre alopecia por tração registra que o uso de alisamento químico soma ao risco de perda por tensão mecânica, porque o fio quimicamente tratado tolera menos a força aplicada por penteados presos.

Nesse cenário, a perda acontece na linha em que o cabelo é puxado, e não no comprimento. É o quadro descrito no artigo sobre alopecia por tração, que começa reversível e pode terminar em cicatriz quando a tração continua.

Se a queda segue o padrão das entradas e do topo da cabeça, e não o desenho da química ou do penteado, o tratamento que age sobre a causa preserva mais fios quanto antes começa.

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Sinais de que o problema passou da fibra para o couro cabeludo

Enquanto o dano fica na haste, os sintomas são estéticos, com fios ásperos, quebradiços e sem brilho. Quando aparecem ardência, vermelhidão, descamação intensa, feridas ou dor, a agressão atingiu a pele, e é aí que o risco muda de natureza.

Esses sinais pedem interrupção do produto e avaliação médica. A inflamação persistente no couro cabeludo pode evoluir para perda definitiva, como acontece nas formas descritas em alopecia cicatricial.

Química no cabelo: o que decidir antes da próxima aplicação

A pergunta útil não é se a química faz mal, e sim o que exatamente está em jogo em cada caso. Quebra de fio é reversível, porque o folículo continua produzindo, e o cabelo volta ao normal conforme cresce. Dano ao couro cabeludo é outra categoria, com risco de perda permanente quando a inflamação se repete.

Isso dá dois critérios práticos antes de marcar a próxima aplicação. O primeiro é o produto, que precisa ser regularizado, já que nenhum resultado compensa o uso de formol como alisante.

O segundo é o estado do cabelo e da pele, porque aplicar química sobre fio recém-descolorido ou couro cabeludo irritado multiplica o dano.

Para quem já tem calvície, existe um terceiro ponto. A química não causa o padrão androgenético, mas deixa o cabelo mais frágil justamente quando cada fio conta mais, e a perda por quebra se soma à perda que já estava em curso.

O que lembrar:

  • O alisamento químico costuma provocar quebra do fio, com o folículo preservado, o que difere da queda pela raiz.
  • A distinção aparece na ponta do fio perdido e no padrão da perda, e orienta o que fazer em seguida.
  • O formol é a exceção relevante, proibido pela Anvisa como alisante e associado a irritação, queimadura e queda de cabelo, e o ácido glioxílico também não é autorizado para essa finalidade.
  • Química combinada com penteados presos aumenta o risco de alopecia por tração, e sintomas no couro cabeludo pedem interrupção do produto e avaliação médica.
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Perguntas Frequentes

Referências

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Gavazzoni Dias MFR. Hair cosmetics: an overview. International Journal of Trichology. 2015. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC4387693

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Gavazzoni Dias MFR, Loures AF, Ekelem C. Hair cosmetics for the hair loss patient. Indian Journal of Plastic Surgery. 2021. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8719955

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Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Informe de Segurança GGMON 03/2025: cosmetovigilância, alisantes capilares. 2025. https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/fiscalizacao-e-monitoramento/informes-de-seguranca/informe-de-seguranca-ggmon-no-03-2025-cosmetovigilancia

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Billero V, Miteva M. Traction alopecia: the root of the problem. Clinical, Cosmetic and Investigational Dermatology. 2018. https://www.tandfonline.com/doi/full/10.2147/CCID.S137296