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Melatonina tópica para queda de cabelo: funciona?

O hormônio do sono virou ingrediente de loção capilar com base em um único ensaio controlado, feito em mulheres. Os estudos em homens existem, e o problema deles está no desenho.scribble-underline

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Aprovado por:

Dr. Earim Chaudry

Escrito com base em estudos científicos
Atualizado em 21 de outubro de 2026

Resumo rápido:

A melatonina tópica tem um único ensaio clínico controlado com a substância isolada, publicado em 2004 e feito com 40 mulheres. Nele, a proporção de fios em crescimento aumentou na região occipital das participantes com alopecia androgenética.

Os quatro estudos feitos em homens não tiveram grupo placebo. Esse desenho não separa o efeito do tratamento da variação natural do cabelo ao longo do ano, e a revisão de 2024 conclui haver pouca evidência de efeito claro sobre o crescimento.

Aviso Importante: As informações deste artigo têm caráter educativo e não substituem o aconselhamento, diagnóstico ou tratamento médico profissional. Se você tiver dúvidas sobre produtos para queda de cabelo, consulte um médico.

A melatonina chegou aos produtos para cabelo por um caminho inesperado. Conhecida como o hormônio do sono, ela também é produzida na pele e tem receptores no folículo capilar, o que levou pesquisadores a testá-la por via tópica a partir dos anos 2000.

Vinte anos depois, o conjunto de estudos clínicos continua pequeno. Uma revisão publicada em 2024 reuniu os ensaios existentes e separou o que foi testado de verdade do que apenas parece ter sido, e essa separação é a parte mais útil da literatura para quem está decidindo se vale comprar.

Melatonina e cabelo: de onde vem a hipótese

A ideia de aplicar melatonina no couro cabeludo nasceu de duas observações. A primeira é que a substância não vem apenas da glândula pineal, já que a própria pele e o folículo capilar produzem melatonina e possuem receptores para ela.

A segunda é o papel antioxidante. A melatonina neutraliza radicais livres, e o estresse oxidativo aparece entre os processos envolvidos no envelhecimento do folículo e em várias formas de queda.

Essas duas pontas sustentam uma hipótese plausível, e é só isso que elas sustentam. Nenhum estudo demonstrou que a aplicação tópica altere o ciclo capilar humano por essa via, e a relação entre melatonina e cabelo não tem conexão estabelecida com o papel do hormônio no sono, tema que o blog trata em sono e queda de cabelo.

O único ensaio controlado com melatonina isolada

Entre os estudos clínicos disponíveis, apenas um testou a melatonina sozinha com desenho capaz de responder à pergunta. Publicado em 2004, ele foi randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, com 40 participantes que aplicavam a solução à noite.

O resultado foi positivo e restrito. Entre as participantes com alopecia androgenética, a proporção de fios em fase de crescimento aumentou na região occipital em comparação com o grupo placebo, com diferença modesta. Nas outras regiões avaliadas, a diferença não se confirmou.

Duas características desse ensaio limitam o que ele diz para o público deste blog. A amostra era pequena, com doze participantes no grupo de alopecia androgenética, e todas as 40 participantes eram mulheres, o que deixa a calvície masculina fora do alcance do resultado.

Os estudos em homens e o problema do grupo sem comparação

Quatro trabalhos avaliaram a melatonina tópica em homens, e nenhum deles usou placebo. Um estudo de 2007 acompanhou 31 homens com calvície inicial por seis meses e não encontrou diferença estatisticamente significativa na densidade dos fios, com variação que os revisores associaram a efeito sazonal.

Dois estudos posteriores, com 40 homens cada, compararam formulações diferentes de melatonina entre si e com o ponto de partida de cada participante. Ambos registraram melhora de densidade e espessura, e em ambos a formulação mais elaborada se mostrou superior à solução simples.

Há ainda uma série de cinco estudos abertos publicada em 2012, com homens e mulheres, que registrou aumento de cerca de 40% na contagem e na densidade dos fios. A solução testada ali combinava melatonina com biotina e extrato de ginkgo biloba, o que impede atribuir o resultado à melatonina, limitação que também aparece na avaliação da biotina isolada.

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Por que a falta de placebo pesa tanto no cabelo

Em muitas áreas da medicina, um estudo aberto que compara o antes e o depois oferece alguma informação. No cabelo, essa comparação é especialmente frágil, e o estudo de 2007 mostra por quê.

A densidade capilar varia ao longo do ano por conta própria, com períodos de queda mais intensa e de recuperação. Um participante avaliado no início do inverno e reavaliado no fim do verão pode melhorar sem nenhum tratamento, e o estudo aberto registra isso como efeito do produto.

O placebo resolve esse problema porque o grupo de comparação atravessa as mesmas estações. É a razão pela qual os revisores consideraram apenas o ensaio de 2004 como evidência de boa qualidade, e também a razão pela qual os quatro estudos em homens não permitem conclusão.

Melatonina no Brasil: como ela é autorizada

No Brasil, a melatonina tem uma situação regulatória definida, e ela não inclui o cabelo. Em outubro de 2021, a diretoria colegiada da Anvisa aprovou a inclusão da substância na lista de constituintes autorizados de suplementos alimentares, como substância bioativa, com limite diário de consumo e restrição a maiores de dezenove anos.

Essa autorização trata do uso por via oral e de alegações relacionadas ao sono. Nenhum medicamento tópico com melatonina para queda de cabelo foi encontrado com registro na Anvisa, e os produtos que circulam no mercado brasileiro são cosméticos ou preparações feitas em farmácia de manipulação.

A diferença entre essas categorias importa na prática. Um cosmético não precisa demonstrar eficácia sobre a queda de cabelo para ser comercializado, e uma preparação manipulada não passa pelo processo de registro exigido de um medicamento, situação parecida com a de outras alternativas analisadas em remédio caseiro para queda de cabelo.

O que perguntar antes de comprar

Uma loção com melatonina costuma chegar ao consumidor pelo rótulo, e o rótulo não distingue um ingrediente com um ensaio controlado em 40 mulheres de um ingrediente com décadas de estudos em milhares de homens. Essa distinção é o que define o lugar de cada produto em um plano de tratamento.

Duas perguntas resolvem a maior parte dos casos. A primeira é se existe estudo com placebo na população do comprador, o que no caso da melatonina tópica em homens ainda não existe. A segunda é se o produto está sendo oferecido no lugar de um tratamento com eficácia estabelecida, caminho em que a perda de tempo custa fios, como mostra o panorama de medicamentos para crescer cabelo.

O que lembrar

A melatonina tópica tem um único ensaio randomizado com a substância isolada, publicado em 2004, com 40 mulheres e resultado restrito a uma região do couro cabeludo. Os quatro estudos em homens foram abertos e sem placebo, desenho que não separa o efeito do produto da variação sazonal do cabelo.

A revisão que reuniu esses trabalhos conclui que há pouca evidência de efeito claro sobre o crescimento capilar. No Brasil, a melatonina é autorizada como constituinte de suplementos alimentares por via oral, sem medicamento tópico registrado para queda de cabelo, e qualquer decisão de tratamento passa pela avaliação médica.

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Perguntas Frequentes

Referências

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Greco G, Di Lorenzo R, Ricci L, Di Serio T, Vardaro E, Laneri S. Clinical studies using topical melatonin. International Journal of Molecular Sciences. 2024;25(10):5167. https://doi.org/10.3390/ijms25105167

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Fischer TW, Burmeister G, Schmidt HW, Elsner P. Melatonin increases anagen hair rate in women with androgenetic alopecia or diffuse alopecia: results of a pilot randomized controlled trial. British Journal of Dermatology. 2004;150(2):341-345. https://academic.oup.com/bjd/article-abstract/150/2/341/6636031

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Fischer TW, Trüeb RM, Hänggi G, Innocenti M, Elsner P. Topical melatonin for treatment of androgenetic alopecia. International Journal of Trichology. 2012;4(4):236-245. https://journals.lww.com/ijot/fulltext/2012/04040/topical_melatonin_for_treatment_of_androgenetic.3.aspx

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Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Voto nº 202/2021 da Terceira Diretoria: atualização das listas de constituintes, limites de uso, alegações e rotulagem complementar dos suplementos alimentares. Relatora Cristiane Rose Jourdan Gomes. 2021. https://www.gov.br/anvisa/pt-br/composicao/diretoria-colegiada/reunioes-da-diretoria/votos/2021/copy2_of_rop-20.2021/item-2-4-1-voto-202-2021-dire3.pdf